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O coronavírus pode atrapalhar meu plano de engravidar?

Dra. Teresa Embiruçu  •  29 de abril de 2020

Você que estava planejando engravidar este ano, deve estar se perguntando o que fazer. Muitas pacientes entraram em contato comigo com dúvida sobre parar ou não o método contraceptivo para tentar engravidar e se continuariam ou não o tratamento nas clínicas de reprodução humana neste momento. No cenário de pandemia por um vírus que ainda pouco se sabe, e tudo que se sabe pode ser transitório, o melhor talvez seja adiar os planos de engravidar. Mas por quanto tempo? Também nós médicos não temos dados para esta resposta.

Aquelas mulheres que estão em tratamento para câncer e existe a indicação para congelar os óvulos a fim de preservar a fertilidade no futuro não têm como esperar. Existem ainda outras situações que são delicadas e devem ser individualizadas, como aquelas mulheres que estão em idade avançada e que têm baixa reserva ovariana. As mulheres que já haviam iniciado o tratamento de fertilização (já houve a coleta de óvulos e o processo de fertilização com espermatozoide) e que aguardavam a inseminação (ou a implantação) provavelmente vão ter que esperar até as Sociedades de Reprodução Humana conseguirem avaliar melhor risco e benefício de todo o processo. Aliás, um processo que não envolve apenas o investimento financeiro, mas emocional também.

Se você estava com planos de engravidar, o primeiro passo é ter calma. Não adianta buscar “culpado”. Se você está dentro de um relacionamento, não ajuda olhar para o outro e querer respostas como porque não fizeram antes ou de como vai ser no futuro. Ninguém tem uma resposta pronta. No atual momento, o ideal é esperar para engravidar, seja da forma natural ou de forma assistida. Não existe consenso entre os especialistas como o vírus se comporta em mulheres grávidas e se a doença afeta o bebê (ou a dimensão das conseqüências dentro do útero ou após o nascimento).

É importante lembrar que a grávida geralmente tem uma imunidade mais baixa e que o vírus parece causar um quadro mais sistêmico (muito além dos sintomas respiratórios). Não se pode esquecer que a mulher grávida precisa se submeter a vários exames durante os nove meses de gravidez e as idas ao laboratórios e hospitais aumentariam os riscos de contaminação. As mulheres grávidas, aquelas que tiveram bebês (puérperas) e as que passaram por aborto estão dentro do grupo de riscos para o COVID-19.

Aproveite para usufruir deste momento de distanciamento social e cuide de outros aspectos que ajudam no planejamento de gravidez, como por exemplo buscar fazer atividade física diariamente (20 a 30 minutos por dia), ganhar habilidade em criar cardápios mais saudáveis (ir atrás de receitinhas diferentes para manter um bom consumo de vitaminas através dos alimentos), dormir bem (não trocar a noite pelo dia para não interferir na produção hormonal), gerar mecanismos para diminuir vícios (como hábito de fumar e consumir bebidas alcoólicas) e também se conectar sexualmente com seu parceiro ou sua parceira sem o foco reprodutivo. De repente, investir neste contato sexual sem a pressão do coito programado para engravidar vai trazer um toque de leveza ao relacionamento.

Você não está sozinha. Não fique com dúvidas. Entre em contato sempre com seu médico.

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