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Essa é uma pergunta freqüente nas consultas: a pílula pode diminuir minha libido? Interessante que as primeiras pílulas (contraceptivos hormonais orais) surgiram nos anos 60, por volta de 1967, e só quase 30 anos após começaram a pensar nos efeitos secundários na sexualidade das mulheres. Teoricamente dois mecanismos podem justificar a interferência das pílulas na sexualidade: as alterações hormonais e as alterações sobre o humor.

Como seria o efeito dos contraceptivos orais no ambiente hormonal?

A ação principal dos contraceptivos hormonais é prevenir a ovulação,  bloqueando a produção hormonal própria dos ovários. Os estrogênios e a testosterona ficam com níveis bem baixos. Os contraceptivos orais também aumentam a produção hepática de uma proteína (SHBG) que se liga a testosterona, o que deixa esse hormônio mais baixo ainda. 

A diminuição do estrogênio pode comprometer a lubrificação vaginal diante de estímulos eróticos e a diminuição da testosterona pode causar diminuição do desejo sexual e dos pensamentos em sexo. 

Como seria o efeito dos contraceptivos orais sobre o humor?

Em algumas mulheres, o efeito é benéfico, podendo diminuir a variação de humor que ocorre antes da menstruação (a TPM). Entretanto, existe um subgrupo de mulheres que apresentam efetivamente alterações negativas do humor, com sintomas depressivos. Essa resposta positiva ou negativa parece estar relacionada ao tipo de progestativo que contém na pílula.

Será que os contraceptivos orais têm algum efeito positivo na sexualidade feminina?

A pílula permitiu a mulher ter relação sexual sem o medo de engravidar, então ficou mais fácil pensar em sexo apenas como recreação e prazer. A pílula também permite que a mulher tenha um sangramento menstrual mais previsível, geralmente com menos sintomas pré-menstruais e cólicas.  Esse conforto pode permitir a mulher vivenciar sua sexualidade de forma mais estável e com mais prazer. 

Por que é difícil avaliar o efeito dos contraceptivos orais na sexualidade feminina?

Primeiro não é fácil realizar pesquisas em sexualidade porque nem sempre se tem como mensurar de forma tão quantitativa e objetiva o que se quer avaliar. Segundo, porque alguns estudos mais antigos, ainda consideram o desejo espontâneo como uma verdade universal. Mas depois de pesquisadoras, como a Rosemary Basson, entendeu-se que o desejo feminino tem uma natureza contextual e pode responder a estímulos externos e não simplesmente surgir “do nada”. Terceiro, porque os contraceptivos orais existem nas mais diversas combinações de estrogênios e progestativos e em diferentes concentrações. Esses estudos ainda teriam que comparar o efeito da pílula sobre as respostas sexuais com o que se encontra em geral na população (que usa outros métodos para evitar gravidez ou que não usa nada).

Importante lembrar que não devemos considerar que todas as pílulas agem de forma igual e que todas as mulheres têm o mesmo metabolismo. Logo, existe uma variação individual. Não considerar a “pílula mais nova” ou “a mais fraquinha” como sendo sempre a de melhor opção. Cada mulher é única. Além disso, para se “culpar a pílula” outros demais fatores psicossexuais, sociais e de relacionamento devem ser descartados.  

Aquela mulher que deseja escolher um método contraceptivo ou trocar de método, deve conversar com o medico sobre a sua sexualidade, tirar suas duvidas, falar sobre seus medos e suas angústias. 

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